A prova escrita do Entrevero de Peões e da Ciranda de Prendas, concursos que definem os peões e prendas do Rio Grande do Sul, mobilizam os concorrentes com bastante antecedência. É muito comum ouvirmos que foi um ano inteiro de estudos e existem relatos, inclusive, de até três anos de assimilação de conteúdo. Livros e livros sobre geografia do Rio Grande do Sul, história do Rio Grande do Sul e sobre tradição, tradicionalismo e folclore são lidos, relidos, enfim, estudados à exaustão pelos concorrentes. E o resultado é positivo, segundo a Diretora do Departamento de Concursos Culturais para Peões e Prendas, Roberta Jacinto, que foi prenda do Rio Grande do Sul na gestão 2016/2017. Nesta entrevista, ela fala sobre a importância da prova escrita, seus objetivos e sobre a evolução das questões nos últimos anos. E responde uma questão que inquieta concorrentes, familiares, enfim, todos os tradicionalistas diretamente envolvidos: se a prova escrita, de fato, define os vencedores.

Qual a importância da prova escrita nos concursos de prenda e peão? Qual é o principal objetivo da prova escrita?
É de grande importância, pois as provas fazem com que as prendas e peões aprofundem seus conhecimentos. Desse modo, os jovens criam embasamento para vivenciar uma gestão dotados de conteúdo e propriedade suficientes para responder a questionamentos e ministrar palestras, por exemplo. Além disso, é claro, existe o objetivo de incentivar a juventude a conhecer a história, a geografia, a tradição, o tradicionalismo e o folclore gaúchos, matérias dificilmente elencadas no currículo escolar.

Como elas são elaboradas? São quantas questões e sobre quais assuntos?
As provas são elaboradas com base na bibliografia indicada para o concurso. Na categoria mirim são 35 questões, já nas categorias juvenil e adulta são 30 questões e a redação, esta última podendo ser avaliada em até cinco pontos. A prenda só tem conhecimento do tema da redação durante a realização da prova, sendo que o mesmo é elaborado com base em temas atuais vivenciados na sociedade em geral e no tradicionalismo. Nas categorias peão e guri, as provas são feitas com 20 questões, enquanto na categoria piá com 25. Em todas as categorias, tanto da Ciranda como do Entrevero, são abordados assuntos de história, geografia, tradição, tradicionalismo e folclore do Rio Grande do Sul, valendo um ponto cada questão. Todas estas informações estão disponíveis nos regulamentos da Ciranda e do Entrevero, que podem ser acessados no site do MTG.

Neste ano aconteceram mudanças/inovações nas provas tanto do Entrevero como da Ciranda. Quais e por qual razão?
Fomos cautelosas e bastante cuidadosas na elaboração das provas. No entanto, nossa principal intenção não foi dificultá-las, mas verificar por meio das mesmas se os jovens participantes da Ciranda e do Entrevero realmente tinham domínio e entendimento acerca do conteúdo ou apenas o tinham decorado por meio de questionários e/ou polígrafos. Isto porque o modelo de prova vigente nos últimos anos fez com que as prendas e peões se acomodassem. No entanto, não significa que o referido estivesse errado. Longe disso. O fato é que esgotou-se. Assim, ao consagrar-se costumeiro, o antigo modelo de prova permitiu tornar-se comum entre as prendas e peões não haver dedicação à bibliografia e ao entendimento do conteúdo, mas, sim, decorar perguntas e respostas. Posto isso, buscamos matérias que ainda não haviam sido exploradas, embora retiradas da mesma bibliografia dos anos anteriores. Propomos uma mudança gradual na dificuldade das provas, bem como elaboramos enunciados de forma diferenciada. Começamos por questões com grau de dificuldade um pouco mais elevado no Entrevero, o que foi mantido na Ciranda juntamente com questões mais reflexivas. Por fim, também tivemos o objetivo de proporcionar uma “troca” de informações, de modo que as prendas e os peões não somente demonstrassem seus conhecimentos, mas, também, os aumentassem por meio das informações elencadas nas provas.

Comenta-se que a prova escrita, efetivamente, define o vencedor. Isso é verdade?
Não. Isto é muito relativo, pois depende da edição da Ciranda ou do Entrevero. Em alguns anos sim; em outros, não. O fato é que se trata de uma prova importante, que possui peso decisivo e que depende unicamente da prenda ou do peão. É a oportunidade que os jovens têm de mostrar e explorar mais a fundo a bagagem de conhecimentos que levam consigo.

De modo geral, o desempenho das prendas e peões na prova escrita é satisfatório?
Sim. Por tratar-se de uma etapa importante e decisiva no concurso, via de regra, as prendas e os peões dedicam-se bastante para realizá-la.

Várias das obras da bibliografia encontram-se esgotadas. Está se pensando em alguma estratégia para contornar este problema?
Sim. Estamos empenhadas em realizar uma considerável revisão da bibliografia. Nosso principal objetivo é inovar sem deixar de elencar obras que tragam conteúdos de grande importância na formação intelectual das prendas e dos peões.

Entrevista: Sandra Veroneze | Foto: Samanta Collares

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