Se uma imagem vale mais do que mil palavras, no tradicionalismo gaúcho existem fotografias que não apenas explicam, como também encantam. Toda beleza da indumentária, da relação do gaúcho com o cavalo e a expressão artística, especialmente da dança, pela lente e olhar de alguns fotógrafos se transformam em poesia. Eduardo Rocha, Deivis Bueno e Mauro Heinrich, nesta entrevista, falam sobre sua paixão em comum, a fotografia e seu envolvimento com o tradicionalismo gaúcho

Eduardo Rocha, Deivis Bueno e Mauro Heinrich têm algo em comum, a paixão pela fotografia. Quando vistos em eventos e atividades do tradicionalismo gaúcho, um misto de alegria e ansiedade toma conta dos presentes. Porque, pelas suas lentes, o trabalho certamente será diferenciado, assumindo ares de arte.

Eduardo Rocha assina fotografias para os maiores nomes e projetos da cultura gaúcha, especialmente da música. Profissionalmente dedicado à fotografia há dez anos, alguns de seus trabalhos mais conhecidos são a Cavalgada dos Extremos, com os Cavaleiros da Paz, percorrendo a Argentina, Canadá, África do Sul e Mongólia. Eduardo lembra com carinho do seu primeiro trabalho profissional, a Chama Crioula de 2008, e as inúmeras oportunidades de fotografar o cavalo crioulo, no Brasil, Uruguai, Argentina e Chile. Em 2017, a Mostra Interiores apresentou um resumo de sua história na fotografia, no Margs, em Porto Alegre. “Busco uma identificação com o Regional, quero que minha fotografia sirva de registro de um tempo. E que os observadores de minhas imagens possam viajar através delas”, afirma. Um guia seguro para seu trabalho são as suas memórias de infância, em Dom Pedrito. Sua inspiração vem da simplicidade do campo, da pureza de sua gente e da estética peculiar do nosso Sul. “A fotografia me proporcionou tantas experiências marcantes. Mas ter a oportunidade de conviver com nomes como Telmo de Lima Freitas, Nico Fagundes, Berega e participar da Barranca e da Festa dos Ermãos em Uruguaiana são certamente motivos para ser grato a Deus por poder fazer o que eu gosto”, conclui.


Mauro Heinrich é tradicionalista do GF Chaleira Preta, de Ijuí, na 9ª Região Tradicionalista. Profissionalmente, dedica-se à fotografia há 12 anos, tendo seu acervo digital visto por mais de um milhão de pessoas no mundo todo. Também atua no Departamento de Comunicação do CTG Rancho dos Tropeiros, de Ibirubá, e da própria RT, e seu trabalho pode ser visto em mostras e sites especializados, além de revistas e jornais do Rio Grande do Sul.

Para Mauro, cada momento para fotografar é único. “De cada evento que participo guardo a imagem da emoção no rosto de prendas e peões, das prendinhas e dos piás, dos pais, avós e familiares e o orgulho de ser gaúcho, de ser tradicionalista, do sentimento de pertencer e viver tudo isso”, afirma. No tradicionalismo, segundo ele, todos compõem uma grande família, o que faz com que seja um universo onde se sente em casa, com pessoas que vivem e têm os mesmos sentimentos em relação à vida. “Quem vive o tradicionalíssimo sabe das alegrias dos reencontros, do fortalecimento das amizades, que estão imunes ao tempo, do aprendizado constante a cada evento participado e mais que isso, a possibilidade de contribuir e participar da preservação da nossa tradição para as gerações futuras”, afirma.

Na opinião de Mauro, todo gaúcho tradicionalista que vivencia nossa cultura é um pouco artista no que vive e faz e a beleza maior está no privilégio de capturar esse momento impar na vida de todo tradicionalista.


Deivis Bueno dedica-se à fotografia profissional desde 2011 e é a grande referência no registro especialmente de apresentações de invernadas de CTGs em rodeios e festivais por todo o estado do Rio Grande do Sul. No trabalho, seu objetivo é bem definido: enaltecer e mostrar a magia e o árduo trabalho de uma legião de pessoas que vive a arte tradicionalista em sua mais bela forma, a dança, sempre buscando o algo a mais, imagens que impactes e mostrem a verdadeira essência dos espetáculos apresentados.

Para Deivis, é uma experiência incrível. “Aprendemos ao longo dos anos a entender a dimensão que isso traz para cada participante e a relevância social e impacto cultural que essa prática traz para sociedade”, afirma. Segundo ele, a beleza disso às vezes está mais no empenho, dedicação, abnegação e doação das pessoas e não necessariamente no troféu ou título. “Para boa parte dessa turma, estar vivendo aquele momento, superando os próprios medos e obstáculos, traz muito mais satisfação do que o título de campeão, e nisso reside a grande mágica”. Segundo Deivis, às vezes vale mais uma foto que conte uma história dessas do que a plástica do registro do momento perfeito clicado com as mais apuradas técnicas.

O convívio com os tradicionalistas, afirma Deivis, transcende a relação comercial. “Criamos ao longo desses anos uma infinidade de amigos que valorizamos e cultivamos. Neste tempo, segundo o fotógrafo, já se vivenciou de tudo um pouco: despedidas, retornos, superações de todas as espécies. “Gente que se machuca e continua, superando a dor durante a apresentação, gente que supera o medo de altura e encara isso em prol do trabalho a ser apresentado, grupos que chegam às vezes desacreditados nos eventos, mas que após uma palavra de incentivo entendem a importância”, garante. “Não é só simplesmente bater fotos, mas sim buscar a imagem da vida de quem está na nossa frente dando o sangue por aqueles 20 ou 25 minutos que resumem a vida de cada um”, conclui.

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