O CTG Estância Gaúcha, de Canoas, integra o bloco 5 das apresentações das Danças Tradicionais Força A do Enart, que acontece de 16 a 18 de novembro em Santa Cruz do Sul. Confira o contexto de sua apresentação e detalhes sobre as coreografias de entrada e saída:

O mito sobre a origem do nome do município de Canoas remete à figura de Antonio Gameleiro, um pardo escuro, que, aproveitando a árvore timbaúva que o temporal derrubara, esculpiu uma canoa a partir da qual a região ficou conhecida como “Capão das Canoas” (Silva, 1989).

O historiador oficial da cidade, João Palma da Silva (1989), relata em seu livro sobre as origens de Canoas que, em 1884, o movimento pró-abolição da escravatura, iniciado em Porto Alegre, emancipou vários municípios, inclusive Gravataí. Ele diz ainda que “Em sua sede, Rio dos Sinos, o Major Vicente oferece um churrasco aos seus escravos e os põe à vontade para deixar ou permanecer na fazenda. Todos ficam, arranchando-se pelos capões ou a beira das primeiras estradas, tornando-se pioneiros no povoamento urbano de Canoas.

Ele consagrou o matrimônio de Bertoldo Joaquim Silveira e Castorina Lima Silveira, que, nas palavras do historiador, eram “gente” de “cor”. Essa mulher ficou conhecida, na época, pelos seus poderes de cura como rezadeira.

Canoas possui dois clubes que reúnem a comunidade negra: o Rui Barbosa e o Castro Alves. Este último sediou os Tártaros, um dos mais antigos blocos de carnaval da cidade. Todavia, como reconhece Paulo Josué, em um artigo para o jornal Diário de Canoas, a trajetória dos negros em Canoas é muito pouco conhecida (Josué , 2000). Ao depararmo-nos com esses registros da historiografia local sobre a presença de negros ao longo da história da cidade, poderíamos pensar que estes ocupam lugar de destaque na história do município, porém, num material elaborado em 1998 pela Prefeitura de Canoas, o item “etnias formadoras” é muito claro: lusos, italianos e alemães.

Percebemos, estudando as origens de nosso município, que pior que a escravidão é alguns historiadores terem o interesse de excluir dos anais da história de nosso Estado a existência dos negros. Isso é como se mantivéssemos escravizados até hoje todos os escravos que aqui em nosso Estado chegaram e com sangue ajudaram a construir nossa economia e desenvolvimento. Diante de todos os fatos presentes no texto, fica clara a luta permanente do humano de pele negra procurando constantemente a liberdade, pois é um grito presente dentro da própria alma do indivíduo. Essa luta estava presente nas fugas, mesmo que sem rumo, nos quilombos, como uma luta organizada de estabelecer uma sociedade construída por eles e para eles, aonde fossem aceitos.

Entrada – Na coreografia de entrada o grupo conta o início da história de amor entre Pacácio e Maria, dois personagens conhecidos através da música “Romance na Tafona”. Abordas a dificuldade desse casal para expressar o seu amor um ao outro, visto que a fim de servir aos brancos os dois foram separados para cumprir suas tarefas de escravos em locais diferentes.

Saída – Luiz Carlos Borges mal tinha iniciado sua carreira solo, no final dos anos 1970, quando emplacou Tropa de Osso na 9ª edição da Califórnia da Canção Nativa. Mesmo sem levar o principal troféu, a canção teve bastante destaque. No ano seguinte, em 1980, subiu ao palco da 10ª Califórnia junto do parceiro Antonio Carlos Machado, para defender uma nova música, que versava sobre uma noite de amor entre dois personagens que acabariam emblemáticos do cancioneiro nativista: o casal Maria e Pacácio.

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