Neste mês nosso editorial não será uma opinião e sim um texto falando da obra do Grande Mestre, e criador do Tradicionalismo Gaúcho organizado, João Carlos Paixão Côrtes.

DANÇAS DE ONTEM E DE HOJE

As nossas danças profanas – que se desenvolvem com a participação do cavalheiro e da dama formando um par – encerra, de um modo geral, uma sutil conquista amorosa, que se traduz, em gestos galantes, em olhares envolventes, de indiferença fugaz de amor, arrematada por um “final feliz” onde se evidencia a TEATRALIDADE feita pelo Homem e o RESPEITO a Dama.

Inexistem danças gauchescas lúdicas em que os participantes tomam atitudes MARCIAIS, RÍGIDAS E HIRTAS.

Predomina o jogo romântico espontâneo, na transmissão cerimoniosa da troca de olhares, no “passeio” do Anu, da Quero-Mana e do Maçanico; no meneio conquistador, no “cruzar” das filas, na Chamarrita; no sapateio atraente do Balaio; na delicada correspondência recíproca, no movimento dos lenços no Tatu com Volta no Meio; na “coroação” apoteótica da prenda na Tirana; etc… onde, em todas elas, deve estar presente, o espírito romanceiro interpretativo dos dançarinos.

Sempre se convém lembrar que DANÇAR, não significa somente estabelecer adequado e correto número de passos aos compassos da música ou sua equivalência, É necessário INTERPRETAR os movimentos, concernentes ao RITMO e ao ANDAMENTO musical e peculiaridades do tema, dando-lhes alma, vida própria a descrição formal do motivo, “descobrindo-lhe” o ESPÍRITO do bailar e a MENSAGEM de suas expressões corporais, segundo as quatros Gerações e seus Hibridismos, identificadas nos bailares rio-grandenses.

Dentro de um mesmo ritmo, podemos desenvolver iguais passos, porém com gestualidades corporais distintas, coerentes as características musicais e para a obtenção harmônica de um quadro musicoreográfico mais representativo, do Dançar. Daí a importância da INTERPRETAÇÃO como forma de expressão também ESPIRITUAL e de significativo valor, na tradução do tema folclórico e sua MENSAGEM TEMÁTICA.

Lembrando que a exagerada e inadequada rapidez (“malabarismo”) ou lentidão (“passo de boi manso”) desenvolvida em certos temas, pode desfigurar a beleza, a estética e a harmonia característica da Dança. Para tanto é importante fixarmos além da linha melódica fiel do tema, o ritmo e seu respectivo ANDAMENTO, para uma correspondente e correta reprodução gestual-coreográfica de cada motivo musical.

Mestre João Carlos Paixão Côrtes – PICOTEIOS & SARACOTEIOS DO FOLK PAMPEANO

 

Deixo este texto para uma profunda reflexão de como não devemos nos afastar da forma original e tradicional de bailarmos nossas danças, deixando de lado a verdadeira essência da obra pesquisada e publicada de Paixão Côrtes e Barbosa Lessa.

Nairo Callegaro

Presidente do MTG

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