Assim falavam os namorados do Rio Grande provinciano:
Mate com mel: “quero casar contigo”.
Mate com açúcar queimado: simpatia.
Mate com canela: “só penso em ti”.
Mate com açúcar: “amizade”.
Mate frio: “desprezo”.
Mate com sal: “não apareças mais aqui”.
Mate com casca de laranja: “vem buscar-me”’
Mate muito amargo:“chegaste tarde, já tenho um amor”
Mate lavado: “vá tomar mate noutra casa!…
Trecho extraído do livro “História do Chimarrão”, de Barbosa Lessa.

Na intimidade do mate
O ato de preparar o mate pode ser chamado de: Cevar o mate, Fechar o mate, Fazer o mate, Enfrenar o mate.
A palavra amargo também é usada no lugar de mate ou chimarrão.
Convite para tomar mate:
Vamos matear? Vamos gervear? Vamos chimarrear? Vamos verdear? Vamos amarguear? Vamos apertar um mate? Vamos tomar mate ou um mate? Vamos tomar um chimarrão? Que tal um mate?
O mate pode ser tomado de três maneiras. Em relação à companhia: o mate solito (isoladamente); o mate de parceria (uma companheira ou companheiro) e, finalmente em roda de mate (em grupo).
1. O MATE SOLITO – O homem não precisa de estímulo maior para matear, que sua vontade; no geral, é o verdadeiro mateador;.
2. AO MATE DE PARCERIA – A pessoa espera por um ou mais companheiros a fim de motivar o mate, pois não gosta de matear sozinha.
3. RODA DE MATE – É na roda de mate que esta tradição assume seu apogeu, agrupando pessoas sem distinção de raça, credo, cor ou posse material (o homem vale por seus atos). Irmanados dentro deste clima de respeito, o mate vai integrando os homens numa trança de usos e costumes que floresce na intimidade gaúcha.
O gaúcho nunca pede um mate, por mais vontade que tenha. Poderá sugeri-lo de uma forma sutil esperando que lhe ofereçam. Há um respeito místico nas rodas de mate percebido até por pessoas alheias ao meio, transcendendo o próprio ato de matear.
Introspectivo por excelência, induz o homem a uma busca interior, despertando a autoanálise em relação ao meio. Companheiro calado nos mates solitos, se fez vaqueano deste silêncio, onde se amansam sentimentos para a grande compreensão da vida. Buliçoso nos mates conversados, onde a prosa amiga se alastra pelo tempo adentro!
Malicioso cabresto de ternura xucra que prende o olhar moreno da china, num gesto oculto de tocar as mãos. Sério nos momentos sérios da vida, onde precisamos apenas um companheiro calado!
Esta intimidade mística, vivenciada por trás dos olhos que se faz presente pelo ritual antigo de respeito à vida é a alma do mate!…
Texto extraído do livro “Cevando Mate”, de Glênio Fagundes

Texto integrante do Caderno Piá 21, Jornal Eco da Tradição edição 198, Fevereiro/2018

Foto: Mauro Heinrich

Deixe uma resposta

Fechar Menu
%d blogueiros gostam disto: