“A palavra arte pode assumir várias significações na linguagem. Falando-se de transformação de matéria bruta pelo homem, ela pode representar uma forma de produção quando se desenvolve na procura do útil; ou uma forma de expressão se desenvolve na procura do belo.”
Com as palavras de Saul Martins, publicadas no Caderno de Folclore (nº10), através da rica obra de João Carlos Paixão Côrtes – Gaúcho: Danças Traje Artesanato, que será base para este texto, introduzimos o assunto em destaque: Artesanato Gaúcho.

O Artesanato Gaúcho se desenvolveu através dos tempos para suprir distintas necessidades. Tomando formas, enriqueceu as paisagens do Sul, adentrou as casas, foi ferramenta, utensílio doméstico, passatempo… e arte!
Ao falar em produção manual dos rio-grandenses (que herdaram costumes de tantos outros povos), é importante fazer algumas diferenças de interpretação do que de fato é considerado trabalho manual, e consequentemente Artesanato:
“A primeira distinção deve ser feita com o molde, que é forma e padrão, que significa regularidade. Com molde se produzem objetos iguais ou cópias sem originalidade alguma. Não se deve confundir regularidade com uniformidade. Embora padronizada, cada peça feita à mão é única, não se confunde com nenhuma outra, nem da mesma espécie, ainda que tenha sido elaborada no mesmo dia pela mesma pessoa. ” (J.C. Paixão Côrtes)
O estilo de cada artesão empresta a sua marca pessoal a cada objeto, possuindo a sua própria originalidade, o que pode distinguir padrões regionais de feitio de trabalhos semelhantes, como por exemplo, Bombachas. Antigamente cada região possuía um “estilo”, e isso vinha a tornar-se também como uma moda local.
Mas bueno, falando propriamente dito do que o nosso povo sulista produziu de artesanato, podemos citar como principais matérias-primas: fibras vegetais, madeira, porongo, vime, chifre, osso, lã, crina, metais… Além de trabalhos únicos como rendas de bilro, porcelana, cerâmica, ornatos em bombachas, flores artificias. Vamos falar um pouco dos principais:

Artesanato com fibras vegetais
Com inúmeros tipos de fibras vegetais diferentes, como trigo, tiririca, butiazeiro, milho, cipó, taquara, algodão e embira, é confeccionada aqui no Estado uma dezena de produtos diferentes. Com um processo de certa forma demorado, é necessário cortar, secar, destalar, trançar e dar acabamento para então dar início à série de produção de Chapéus, Trilhos e Esteiras, Porta-Cuias, Cortinas, Utensílios para mesa e costura, Bolsas, Decoração de Interiores, Flores e por aí vai…

Cuias
De todos os recipientes variados onde o campeiro ceva o seu chimarrão, foi o porongo que ganhou maior destaque entre nossa gente. O porongo, após a colheita, precisa de um tratamento especial, incluindo raspagem da peça, o que poderá definir qual a sua coloração, conforme o tempo que foi raspado (se logo após a colheita, fica em tons mais claros). Merece destaque especial o enriquecimento artesanal das cuias, que poderiam receber adornos de prata e ouro tanto no bocal e na bomba, ou, então, através de entalhes no próprio porongo, trazendo motivos regionais, naturalistas… O trabalho também pode ser feito através de pirografia, onde nos tempos antigos acontecia por meio de um ferro em brasa, gravando assim os motivos de importância para o artesão.

Vime
A região da Serra Gaúcha foi a que mais trabalhou e deu vida as peças de vime. Desde simples peças como cestos e cadeiras, hoje podem ser encontradas ricas e sofisticadas peças.

Chifre
Nos primórdios da vida dos gaúchos, o Chifre foi uma das peças de mais comum utilização nos campos do sul. Também conhecida como Guampa ou então Aspa, deu origem a copos, canecos, mamadeiras para terneiros guaxos, pentes, peinetas para coque, passadores para cabelo, dedal, colher, garfo, anéis femininos, fivelas para guaiacas, cabo de chaira…

Osso
Assim como o chifre, porém em menor escala, o osso foi utilizado para diversos utensílios úteis para o dia-a-dia. Como decoração, eram feitas boleadeiras, e para o dia-a-dia, bombas para arreios ou estribos, cabos de relhos, passadores, fivelas…

Bombachas
A bombacha tradicional requer muita mão-de-obra, especialmente quando possui pregas e enfeites distintos. Os favos são verdadeiras relíquias do nosso estado. Para ter ideia, até mesmo concursos existiam antigamente, sendo o primeiro organizado por Paixão Côrtes em 1957. O favo, também chamado de Mondonguinho, Fofo, Pregueado, Buchinho, Casa ou Ninho de Abelha, tomou inúmeras formas diferentes, onde se estendem sempre na parte externa da bombacha, na lateral da perna. Os nomes eram dados de forma que lembravam algo, como por exemplo o Favo ou Ninho de Abelha, remete ao desenho de uma colmeia. Também poderiam possuir como decoração esses favos, botões e moedas.

Então bueno, que todos os artesãos não deixem tão belas obras primas morrerem, passando de geração em geração os usos e costumes do povo de nossa terra, e assim, nossa cultura se perpetue cada vez.
Fontes das imagens: Mercado Livre e Selaria Porteira Velha

Guilherme Milani e Jéssica Sena. Estância Virtual (www.estanciavirtual.com.br)

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