O mês de setembro jamais será o mesmo para o tradicionalismo gaúcho organizado. Perdemos o grande mentor, aquele homem que foi o grande líder de uma juventude de coragem, capaz de unida enfrentar todos os desafios de uma época conturbada no que se referia à valorização das culturas locais, regionais, em todo o Brasil. Saíamos de um período de confronto mundial, que abalou a humanidade, e que até hoje deixa suas sequelas.

Dentro deste contexto, eis que aqui no sul do Brasil, jovens, com aquela inquietude juvenil de mudar o curso da história, resolvem demonstrar nas ruas da capital dos gaúchos seu inconformismo com o desrespeito e desleixo à nossa cultura local, e resolvem fazer o que chamo de “uma grande revolução cultural regional”, resgatando aspectos fundamentais de nossa cultura regional, que identificam nosso estado e trazem à luz de nossa sociedade nossa história e nossa formação.

Aquele momento entraria para a história porque, eu diria, uma “geração de ouro de mentes brilhantes de jovens” estava prestes a criar um movimento sociocultural ainda inexistente no mundo.
Mesmo com toda esta percepção e sensibilidade, não imaginavam a dimensão e importância que todas as ações desencadeadas em setembro de 47, que conduziriam ao grande “bum“ para o movimento tradicionalista gaúcho ter a dimensão e importância que tem hoje.

Aquelas mentes brilhantes, investidas da coragem que o jovem deve ter para ser o grande transformador de nossa sociedade, foram os ingredientes principais para moverem nossa sociedade e conscientizar a grande maioria do quanto precisávamos fazer algo por nossa gente, nossa cultura.

É emblemático o ato do dia 07 de setembro de 1947, à meia-noite, quando três jovens, Cyro Dutra Ferreira e Fernando Vieira, liderados por João Carlos D’Avila Paixão Côrtes, retiram uma centelha e cavalgam pelas ruas de Porto Alegre, ao som dos cascos de seus cavalos e carregando no peito o orgulho de serem gaúchos. Cavalgavam lentamente em direção ao Colégio Julio de Castilhos, retratando uma cena peculiar para aqueles dias na capital.

Talvez, em pensamentos, estivessem cavalgando como verdadeiros centauros do nosso pampa, pelas coxilhas de nosso pago, conduzindo aquela centelha da chama da pátria que passou a ser a Chama Crioula e acenderia o primeiro candeeiro crioulo.

Este ato, desde este dia, nunca mais foi esquecido e então repetiu-se pelos gaúchos, reascendendo a cada setembro este nosso sentimento de pertencimento e amor por esta terra. Eram homens de outro quilate, homens capazes de olhar acima do horizonte, buscando muito mais que todos conseguem enxergar, olhares coletivos, para todos, sem vaidades individuais, e, sim, objetivos comuns à sociedade.

Por estes motivos e tão somente por estes que até hoje nos espelhamos em seus feitos e contamos, lembramos suas trajetórias. Por isso os Setembros nunca mais serão os mesmos.

Nairo Callegaro | Presidente do MTG

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