Ernani de Oliveira Nunes é do PL Timbauva, do município de Portão, na 15ª Região Tradicionalista. Foi Peão Farroupilha do RS na Gestão 1990/1991. Ernani é pai de Lourenço de Oliveira Nunes, do CTG Aldeia dos Anjos, de Gravataí, na 1ª Região Tradicionalista. Lourenço foi Guri Farroupilha do RS 2011/2012 e Peão Farroupilha do RS 2015/2016. Nesta entrevisa, ambos falam de sua experiência como vencedores do Entrevero Cultural de Peões e legados para a vida.

Desde quando o tradicionalismo faz parte da tua vida?
Ernani: Desde os meus 06 anos de idade, quando meu pai, o Sr. Argemiro Nunes, ingressou no Movimento, vindo mais tarde a fundar o Piquete de Laçadores Timbaúva.
Lourenço: Desde a infância. Ainda bebê, acompanhava meus pais nos acampamentos em rodeios campeiros e cresci vivenciando as práticas tradicionalistas que sempre estiveram presente em minha família, desde os tempos do meu avô.

O fato de ter sido Peão farroupilha do RS proporcionou mudanças significativas na tua vida, ou na tua maneira de ser e ver a as coisas do cotidiano?
Ernani: Sim, acho que na época eu era apenas um jovem nativista apaixonado pela lida campeira e pela parte artística, porém não dimensionava o quanto era grande este Movimento, e tamanha sua importância dentro da sociedade. Muito aprendi com este concurso e a partir dele comecei a me inteirar da causa e ver o movimento de uma forma diferente. Desde então sempre fui um divulgador e defensor das normas, das regras e diretrizes, mesmo às vezes não concordando com algumas, mas sendo sabedor da necessidade de preservar nossos costumes e valores sempre buscando a proximidade com a autenticidade.
Lourenço: Com certeza. Entrei para o primeiro Entrevero em 2011, sem conhecer quase nada sobre o nosso Movimento. Pude aprender muito a partir daquele momento. O período enquanto Peão e Guri do estado, além de me trazer inúmeras oportunidades e vivências, trouxe também muitas responsabilidades e um aprendizado que se fez permanente. Foi momento de aproximação com pessoas, entidades e situações importantes, que serviram de exemplo tanto para minha vida tradicionalista quanto a pessoal. Foi um período de evolução, de viver cada momento e principalmente de aproveitar e refletir tudo isso para o cotidiano. O saber se portar, lidar com situações adversas, ouvir opiniões distintas, liderar, e sempre respeitar tudo e todos, enfrentando todos os desafios com muita seriedade e comprometimento.

Comparando o teu tempo de Peão Farroupilha com o momento atual, você aponta alguma diferença significativa? Quais seriam estas diferenças e na tua opinião por que elas acontecem?
Ernani: É difícil comparar estes dois momentos, até porque no início do concurso havia uma grande preocupação, e uma grande expectativa, quanto à continuidade. Havia muitas incertezas e uma tarefa para nós, peões, acredito que bem mais pesada do que hoje, pois se buscava naquele momento uma afirmação para um concurso, que ao mesmo tempo que entusiasmava a peonada também assustava, pois eram muitas provas que tinham que ser realizadas, sem uma preparação prévia, pois era tudo muito novo. Os primeiros peões serviram de modelo e tinham que alicerçar e alicerçaram esta estrutura que com o passar dos anos se solidificou e hoje é uma grata realidade. Lembro que o departamento jovem daquela época tinha uma certa preocupação de que o concurso de peões não poderia parecer em nada com o concurso de prendas, para evitar interpretações equivocadas que pudessem manchar a sequência do concurso uma vez que ambos eram realizados juntos no mesmo final de semana. Naquela época se premiava um peão único e exclusivo, e este deveria servir de modelo do homem gaúcho. Outra diferença foram as provas, que com o passar do tempo houve um enxugamento para facilitar a realização do concurso por ambas as partes, de quem participa e de quem organiza. Lembro que na época em que participei havia a prova de alambrado, de carneação, da ordenha, da gineteada, entre outras…
Lourenço: Acredito que não foram muitas as mudanças, até porque o período que estive no cargo é recente. Uns ou outros regulamentos alterados. A questão da obrigatoriedade da declamação que acabou saindo em Convenção, bem como a opção de escolher as danças gaúchas de salão, que antes eram sorteadas. As provas campeiras de ferrar e de pealar também foram extintas, o número de músicos e o tempo para algumas provas, no mais acho que o concurso se mantém o mesmo.

Que mensagem vocês deixam aos participantes do próximo Entrevero Cultural de Peões e aos futuros Peões do Rio Grande do Sul?
Lourenço: Que aproveitem este momento o máximo que puderem, pois ele é único em nossa vida e certamente o enriquecimento cultural que vocês vão adquirir irá lhes acompanhar pelo resto de suas vidas. Além do mais, neste momento em que a nossa sociedade é alvejada com tantas transformações, que confundem a cabeça da gente, é necessário estar atento a tudo e a todos para combater aquilo que nos é nocivo, e apto para extrair dos mais experientes o suprassumo da conduta de uma vida exemplar, e modelar-se de bons costumes e valores, para um dia nos orgulharmos de nossos rastros, que certamente serão seguidos pelos que vêm na culatra da tropa do tempo.
Ernani: Eu deixo uma mensagem bem simples, mas que penso ser fundamental. Participem deste concurso com o intuito de cultivar a sua essência tradicionalista, o espírito jovem, a boa liderança, o desenvolvimento de projetos, as amizades adquiridas, os momentos proporcionados. O que vem depois não é o mais importante. O status, o ‘cargo’ em si, de nada valem e não serão lembrados se por trás disso não houver empenho e um trabalho realizado com responsabilidade. As gerações futuras traçarão os rumos que este Movimento seguirá nos próximos anos. E os exemplos são aqueles que serão seguidos, então deixem bons exemplos.

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