Gigantescas distâncias: esse é o principal obstáculo apontado pelos presidentes dos MTGs para a realização de eventos, projetos e difusão do tradicionalismo fora do Rio Grande do Sul. No estado do Mato Grosso, a distância de deslocamento entre os CTGs é geralmente superior a 500 quilômetros. No Mato Grosso do Sul, são 700 quilômetros entre os CTGs de Ponta Porã e Chapadão do Sul, que são duas das maiores entre as 12 entidades filiadas ao MTG-MS.

Na federação da Amazônia Ocidental, que abrange Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Amapá e Pará, as distâncias entre os CTGs variam entre 800 e 2000 quilômetros, além da dificuldade de deslocamento nesses estados, devido às barreiras geográficas.

Da mesma forma, o MTG do Planalto Central, que congrega CTGs situados no Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais, Tocantins, Bahia e outros estados do Nordeste, tem dificuldades constantes com as distâncias de deslocamento entre os CTGs.

Além das barreiras geográficas, outra dificuldade assinalada pelos presidentes dos MTGs é a de transpor barreiras culturais. Em boa parte do Brasil, a cultura gaúcha é considerada uma cultura “importada” e busca espaço dentre as demais culturas nativas ou migrantes. Por exemplo, São Paulo tem como forte característica ser um estado multiétnico, com muitas culturas convivendo e competindo por espaço.

Na Amazônia Ocidental, há um aumento nos problemas sociais por conta da entrada de imigrantes refugiados, como os haitianos que entram pelo estado do Acre e os venezuelanos que chegam a Roraima. Mas essa dificuldade só faz crescer o potencial de transformação social do tradicionalismo: CTGs da região realizam relevantes projetos sociais e humanitários, além da divulgação da cultura gaúcha.

Outras iniciativas têm sido tomadas para superar dificuldades no dia-a-dia do tradicionalismo gaúcho brasileiro. Em Santa Catarina, a busca é por conquistar espaço no ambiente legislativo, contando com uma frente parlamentar e buscando estabelecer legislações que contemplem os eventos tradicionalistas. No Paraná, se desenvolvem parcerias com entidades e instituições para a realização de eventos, principalmente na área da música regional.

O Paraná busca ainda superar a falta de conhecimento sobre o tradicionalismo e desenvolver campanhas de conscientização, por meio de cursos de formação tradicionalista, formação de juízes e avaliadores e demais eventos de cunho cultural.

Além disso, a conquista do jovem é um desafio importante para as federações filiadas à CBTG, como o MTG-SP, que busca superar os modismos culturais e desenvolver ações que tragam o jovem tradicionalista de volta aos galpões de CTG.

O presidente do MTG-SP enfatiza outro problema comum às entidades tradicionalistas em todo o país: a necessidade de apoio e patrocínios, tanto públicos quanto privados, para viabilizar as atividades culturais. Fica o pedido aos empresários para que procurem patrocinar os projetos culturais realizados pelos CTGs e pelos MTGs.

Por fim, como destaca o presidente do MTG-SC, é preciso de união entre os tradicionalistas. Tanto dentro das federações quanto entre elas, os projetos podem ser desenvolvidos por meio de parcerias e colaborações. Afinal, juntos somos mais fortes para trabalhar em prol da cultura gaúcha brasileira.

Presidente do MTG-MT, Roberto Basso: “O Brasil de bombachas segue avante. Independe de qualquer dificuldade, sabemos a importância de se manter nos dias atuais os princípios de nossa carta, onde segue-se firme a moralidade, a legalidade, a dignidade, a família, a cultura e todos os preceitos que nos fazem dignos e atuantes em todos os extratos de nossa sociedade. É verdade que em nosso Estado a atuação do MTG se torna muito mais essencial por todas as dificuldades existentes em se manter viva a chama da tradição gaúcha. No entanto, seguimos de bom grado, pois sabemos o que queremos e o que deixaremos para nossas crianças e juventude, que são o futuro desta nação. Deixaremos um legado de Honradez, Justiça, Perseverança, Tradição e cultura”.

Presidente do MTG-MS, Agadir Mossmann: “Apesar de estarmos distante do Rio Grande do Sul, o Movimento Tradicionalista Gaúcho do Mato Grosso do Sul está fortalecido devido à paixão pela tradição, não só pelos gaúchos natos, mas pelos gaúchos de coração, pessoas nascidas em outros estados, mas que têm amor em cultuar a tradição gaúcha”.

Presidente do MTG-AO, Jaime Valentim Morgan: “Penso que nós vivemos um momento de transformação social, onde o imediatismo e interesses pessoais são exacerbados, evidenciando que as relações interpessoais estão sendo superficiais e efêmeras. Cada CTG, ao seu jeito, à sua maneira, está trabalhando, dentro de suas condições e características”.

Presidente do MTG-SC, Valcírio Fernando Harger: “Acredito que seja necessária a integração dos regulamentos e parceria entre os MTG’s para acessos a cadastros”.

Presidente do MTG-PC, João Francisco Ioung Petroceli: “Estamos trabalhando num projeto “Forças no Esporte” de inclusão da criança carente na sociedade, com isso preenchendo um tempo ocioso dos nossos CTG’s e renovando nossos quadros. Paralelamente estamos com outro projeto “Encurtando Distâncias” de cadastro social dos CTG’s filiados, que servirá de base para o Cadastro Nacional. Estamos no aguardo da definição da patente da sigla CTG em subordinacão à CBTG, que facilitará nosso trabalho, com fortes argumentos para a filiação, pois temos muitos CTG’s, só de nome e assim fortalecer nosso Movimento Tradicionalista Gaúcho do Planalto Central”.

Presidente do MTG-SP, Jorge Francklin Maia: “Nós, do MTG de São Paulo, estamos sempre de prontidão para ajudar o Brasil Gaúcho a se desenvolver dentro dos CTG’s e também na nossa Federação Maior – a CBTG. Acredito que, mesmo com todas as dificuldades, temos pessoas capacitadas e com muita vontade de ajudar no crescimento da Tradição e da Cultura Gaúcha, não só em nosso estado, mas para todo Brasil”.

Presidente do MTG-PR, Ernani Barea: “Temos como objetivos principais disponibilizarmos cursos e palestras de conscientização dos Patrões sobre o tradicionalismo gaúcho (Cfor). Temos um compromisso junto ao MTG-PR de formação do Departamento de Juízes campeiros com a profissionalização dos mesmos. No Departamento Cultural, temos como objetivo promover e apoiar festivais de músicas regionais e da tradição gaúcha e, também, promover encontros culturais regionais”.

Entrevistas: Aline Kraemer
Texto: Aline Jasper

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