“Quem sou, de onde venho e para onde vou” constitui uma das principais inquietações existenciais do ser humano. Levada para o ambiente institucional, resumidamente se traduz em Missão e Visão. O Movimento Tradicionalismo sabe de onde veio, conhece e se dedica arduamente à sua razão de ser, mas para onde vai? Quais os principais desafios que o futuro impõe ao tradicionalismo organizado? Fizemos essa pergunta para três tradicionalistas. Confira suas reflexões.


Alessandro Gradaschi – CTG Lalau Miranda, Passo Fundo – 7ª Região Tradicionalista
Entendo que os desafios são vários, tendo como aspecto central justamente equilibrar o que para muitos é antigo, tradicional, com a modernidade atual. A memória social da população rural está mais ligada ao ritmo da natureza, do tradicional; por outro lado, a memória social urbana está mais ligada às novidades, às mudanças, “as modas”, à tecnologia.

Ao longo de sua história, o MTG vem trabalhando na preservação e divulgação da essência cultural rio-grandense de forma exemplar, porém entendo que outro caminho fundamental é o ensino da cultura gaúcha nas instituições de ensino fundamental e o projeto Tradição e Folclore é um exemplo. Ou seja, devemos lutar para colocar em prática o que prescreve o inciso XXII da Carta de Princípios, que indica que o MTG deve procurar atuar nas instituições públicas e privadas, principalmente nas escolas.

Penso que seria fundamental, também, a inclusão de uma cadeira curricular que fale das tradições do povo gaúcho para as crianças e adolescentes. Entendo que assim a nossa cultura estará preservada para as próximas gerações. Pode ser uma utopia, porém é um dos caminhos, além daqueles em que o MTG atua permanentemente.

Dinara Xavier da Paixão, primeira vice-presidente administrativa do MTG, em 1996
Acredito que o grande desafio do tradicionalismo, para o futuro, seja se reinventar, partindo de seus reais valores e daquilo que significa ser tradicionalista. O ponto de partida precisa ser buscar reavivar esse aspecto da consciência do que é ser tradicionalista, do porquê somos tradicionalistas e por quê pensamos que ser tradicionalista pode ser um caminho para a sociedade. A inserção do tradicionalismo na sociedade passa por uma avaliação, hoje, de cada tradicionalista, de seus motivos e razões para estar no Movimento. Num curto espaço de tempo, acredito, teremos que estabelecer metas reais que possam ser implantadas dentro do Movimento. É preciso chegar mais perto das bases, das entidades tradicionalistas. Reacender a vontade de ser tradicionalista, o prazer, o gosto de ser, pelo simples fato de ser. Precisamos fortalecer o pensamento, a filosofia, tradicionalista.

É um desafio urgente. É fundamental um olhar crítico sobre si mesmo. Não no sentido de que tudo está errado, de que o que foi feito não teve um valor em si. Mas retomar pontos positivos e corrigir rumos. Somos Movimento. E essa palavra diz muito. Será que deixamos de levar em conta que somos Movimento? Temos valores, temos fundamentação, temos a história do próprio Movimento, mas precisamos estar em compasso com a sociedade, com a atualidade. É fundamental retomar essa discussão e fortalecer o debate e questionamento de o que significa, de fato, ser tradicionalista.


Luise Morais, CTG Piquete da Querência, São José do Ouro, 29ª Região Tradicionalista
“IX – Lutar pelos direitos humanos de Liberdade, Igualdade e Humanidade.” E se fizéssemos a análise minuciosa de cada termo deste item da Carta de Princípios do MTG? Descobriríamos tantas coisas essenciais para a manutenção da nossa causa, cada uma das palavras em seu significado mais puro e que podem fazer a diferença para que continuemos com bases sólidas através das próximas décadas. O cenário é reflexivo para os tradicionalistas, é necessário “pensar fora da caixa”, abandonar vícios e atitudes automáticas de um sistema já implantado para que sintamos novamente a liberdade de nossos atos como os jovens de 47, com muita responsabilidade, mas com modos de pensar coletivamente que nos conduzam a um estado verdadeiramente harmônico de convivência entre os próprios tradicionalistas. E mais que isso, que possamos encarar a sociedade fora de nossos “muros” de forma coerente e corajosa. Para que isso seja possível devemos ter humildade em reconhecer que cada segundo é uma nova oportunidade de aprendizado e que a igualdade, seja ela entre o mais idoso e o mais jovem, como nos ensina o Tema Anual 2018 do MTG “Unindo Gerações para Construir o Amanhã”, bem como a igualdade entre os próprios líderes do nosso Movimento organizado e aquele singelo peão no mais simples dos galpões do interior do Estado. Isto sim é entender que não são os encargos que nos tornam mais ou menos importantes, mas o que você faz, e como aproveita as oportunidades que lhe são concedidas, por mais casuais que pareçam. Então, somente quando pudermos transcender o sentido da palavra humanidade tornaremos os nossos dias mais leves, entendendo que nenhum indivíduo deve estar por obrigação dentro de uma instituição, e que se, realmente escolheu fazer parte dela, tem por direito ser respeitado de igual para igual e em contraponto emprestar a cada novo desafio seu melhor sorriso, sua boa vontade em fazer da melhor maneira possível a tarefa que lhe foi incumbida. Por fim, é o momento de descomplicar a nossa esfera de vivência, entender que, sobretudo, somos e estamos cercados por seres humanos, com sentimentos e anseios, e que no fim todos queremos a mesma coisa: a felicidade junto a um Movimento que foi nossa livre escolha e no qual acreditamos!

Foto: Mauro Heinrich

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