O tema anual do MTG, aprovado no 66º Congresso Tradicionalista, é “Unindo Gerações para construir o amanhã”. É um convite à integração entre jovens, crianças, adultos e idosos para compartilhar conhecimentos, experiências, percepções e vitalidade, uns inspirando os outros na lida tradicionalista. Nesta edição do Eco da Tradição damos início a uma série de entrevistas com famílias tradicionalistas, onde o convívio entre gerações no amor pela cultura, pelos usos e costumes do Rio Grande é rotina. E começamos pela família da Adriana Silva Nunes, de 41 anos, que integra há 20 anos o CTG Estância da Serra, de Osório, na 23ª Região Tradicionalista.

Os Silva Nunes fazem parte há 20 anos do CTG Estância da Serra, de Osório, na 23ª Região Tradicionalista. O envolvimento com a cultura gaúcha dos galpões de CTGs, porém, é bem mais antiga. Os primeiros passos tradicionalistas foram dados pela avó Terezinha da Silva Nunes, que hoje tem 62 anos, quando ainda era criança. Ela conta com orgulho que nem mesmo morar longe do Rio Grande do Sul diminuiu a intensidade e o gosto pela tradição. No tempo em que a família morou no Paraná, garante ela, encontrar um local onde o casal pudesse apreciar um bom baile gaúcho se tornou prioridade. E não demorou muito para a família não apenas participar dos bailes como se integrar fortemente à entidade, inclusive assumindo cargos e responsabilidades.

De volta ao sul, em 1986, Adriana começou a frequentar o CTG da escola Suely Vacari Osório, onde hoje há uma Entidade Estudantil, filiada ao MTG, o DTG Lanceiros do Mar. Depois a família migrou para o Potreiro Grande, onde participaram por 12 anos, e então para o Estância da Serra. “No início, meus pais me levavam. Depois, quando cresci um pouco, eu que levava eles. E hoje minha filha me leva”, afirma Adriana. A filha é Isabella Nunes da Silva, de 12 anos.

Para Terezinha, Adriana e Isabella, a importância de participar em família há várias gerações de uma entidade tradicionalista reside justamente no estar junto, poder compartilhar sentimentos, alegrias, amigos, valores, ética, e acima de tudo serem exemplo uma para outra, com disponibilidade para o diálogo e cultivo da cultura gaúcha. “A cultura é a alma de um povo. Quem não tem acaba ficando escravo e submisso do que muitas vezes nem sabe o que é”, afirmam.

Os aprendizados

Aprendi com meus pais o amor pelo o que é nosso, o respeito ao civismo a pátria, afirma Terezinha. “Com o esposo cultuamos nossas tradições por gostar justamente do que é nosso, e com minha filha e neta acredito que aprendi a persistir em um ideal, estar sempre presente nas suas conquistas e trabalhar efetivamente pelo Movimento Tradicionalista Gaúcho”, afirma.

Isabella diz que aprendeu a amar o tradicionalismo e consequentemente ter consciência da importância da existência dos Centros de Tradições Gaúchas para uma sociedade mais humana e igualitária, não esquecendo nunca da perpetuação da nossa cultura e trazendo para as gerações a convivência sadia e eficaz para que possamos ensinar e aprender com esta troca de saberes. E principalmente, segundo ela, que não se precisa “ser” e nem “ter” para cultuar a tradição e trabalhar por ela. “Basta ter boa vontade e amor à nossa cultura”, afirma.

Adriana acredita que a maior lição desta convivência é a troca de saberes, as emoções vividas em cada passo, o aprendizado compartilhado, os lugares que conhecemos, os amigos que fizemos. “Tudo é válido e sempre podemos tirar boas lições de um encontro de gerações”, afirma. Foi em uma entidade tradicionalista, garante, que formei a família e é nela que sua filha se desenvolve, adquirindo valores e conhecimentos impagáveis nos dias de hoje.

Entrevista: Renata da Silva
Texto: Sandra Veroneze

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