Recursos Humanos em Projetos: um Instrumento para o Desenvolvimento dos Centros de Tradições Gaúchas. Este é o título da monografia de Bruna de Moura Martins, no curso de pós graduação em Gerenciamento de Projetos da Unopar. A escolha pelo tema surgiu já no início do curso, como forma de unir duas áreas pelas quais Bruna é apaixonada: recursos humanos e a estruturação dos departamentos das entidades tradicionalistas. “Quando iniciei tinha como principal objetivo compreender a necessidade dos recursos humanos dentro dos Centros de Tradições Gaúchas. E foi possível obter uma visão macro de todos os departamentos, peculiaridades, destaques, comportamentos e a partir daí entender de forma clara como alcançamos tantos objetivos”, afirma.
O escopo de trabalho de Bruna foi a 10ª Região Tradicionalista, que abrange os municípios de Cacequi, Capão do Cipó, Itacurubi, Jaguari, Manoel Viana, Mata, Nova Esperança do Sul, Santiago, São Francisco de Assis, São Vicente do Sul, Toropi e Unistalda. Para a conclusão do trabalho foram necessários aproximadamente três meses.

Uma das primeiras constatações da pesquisa foi que há uma maior concentração de participantes nos departamentos artístico e cultural, ambos integram-se constantemente e têm atuação de destaque em relação aos demais departamentos. Outra conclusão do trabalho é que a maioria dos participantes atua em mais de um departamento. Ainda foi possível evidenciar que a diferença entre cada departamento está naquilo que cada um abrange, pois ambos são de vital importância para o funcionamento da entidade tradicionalista. “O cultural envolve o resgate, a perpetuação e difusão da cultural. O artístico divulga as expressões artísticas e o campeiro valoriza a essência e a cultura basilar do homem do campo, transmitindo aos demais. O departamento jovem vem para ser o aliado na transmissão de todo esse legado às próximas gerações”, afirma.

Segundo Bruna, o objetivo desenvolvendo a pesquisa foi contribuir para uma causa tão grande como é o tradicionalismo. “É através de pequenos esforços que se obtém grandes resultados, pois tudo é uma questão de tempo e persistência, como foi com os jovens de 47”, afirma. Bruna participa do Departamento Jovem da 10ª RT e tem uma chance única de praticar o que estudou e pesquisou, trabalhando de forma mais direta com vários departamentos, com pessoas de diferentes idades e habilidades, além de ter acesso a várias entidades e através de diálogos e exposições potencializar o que cada departamento tem de bom, mostrando e fortalecendo o que ainda não é tão bom. A partir do momento que algo é exposto e enfatizado, o primeiro passo é dado para que pelo menos 1% das entidades ao menos pense a respeito, afirma Bruna.

Trajetória tradicionalista
Bruna iniciou no tradicionalismo em dezembro de 2014, quando aos 19 anos de idade ingressou no CTG Pedro Telles Tourem para realizar o sonho de ser prenda. Ao longo desses anos, obteve cargos internos em duas gestões, uma gestão municipal, além de duas gestões como Prenda da 10ª RT e a concretização do sonho de chegar a uma Ciranda Cultural de Prenda em sua fase estadual. Dentro do departamento artístico, dedica-se à declamação, sua arte favorita. Atualmente é a 1ª Prenda da entidade e vice-diretora do Departamento Jovem da 10ª RT. “Como novata na casa não imaginei que seria tão bem acolhida, ali contei com o auxílio e o amor de muitas pessoas, superei meus maiores medos, muitos obstáculos, uma nova Bruna se fez dentro do CTG Pedro Telles Tourem”, garante. “Meu desejo era poder levar nossas tradições muito além e contribuir para que mais pessoas pudessem viver tudo que eu vivi e se dessem conta de que uma entidade nos traz legados para uma vida toda”, afirma.

A vida tradicionalista, segundo Bruna, é como uma caixinha de surpresas que possibilita experimentar sensações, vivendo emoções e situações até então nem imaginadas. “Nos surpreendemos com a dimensão desse amor pelas coisas do nosso estado e, mais do que isso, o quanto somos impulsionados a continuar a lutar por esta causa”. Coisas simples passam a ter sentido e a mais nobre delas com certeza é a gratidão, garante. “Sou grata ao Movimento Tradicionalista Gaúcho por tudo que me proporcionou”, conclui.

Nota da Redação: Este é um espaço reservado para valorização do trabalho de pesquisa desenvolvido em ambiente acadêmico, que aprofunda, renova, oxigena e apresenta novos olhares sobre o tradicionalismo gaúcho. Se você desenvolveu sua monografia na área, ou conhece alguém que tenha feito, por gentileza envie a sua sugestão de pauta para o email imprensa@mtg.org.br.

Texto: Sandra Veroneze

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