O chimarrão, símbolo ímpar da cultura do povo gaúcho, pautou a realização do 19º Seminário de Cultura Campeira, que aconteceu no dia 17 de março paralelo à Fecars – Festa Campeira do Rio Grande do Sul, em Esmeralda. Durante toda a tarde, tradicionalistas de todos os recantos do Rio Grande do Sul se encontraram para aprender um pouco mais sobre o chimarrão e a erva-mate e também reencontrar amigos e fazer novas amizades, numa imensa roda de mate.

Neste ano, o evento teve como tema “No ritual do chimarrão, sorvendo a história e a tradição” e contou com a presença do Secretário de Agricultura, Pecuária e Irrigação do Estado, Ernani Polo. Também esteve presente o deputado federal Carlos Gomes e o pioneiro do tiro de laço, Virgílio Bernardino de Lemos. Algumas das atrações foram o lançamento do livro dos Piás, “Resgatando a diversão da piazada”, oficina de chimarrão com ênfase nos tipos e características da erva-mate utilizada no Estado, e palestra sobre a importância social, econômica e histórica da Erva-Mate no Rio Grande do Sul.

Um momento muito especial foi o carijo, método de preparação da erva mate antigo que ainda persiste em algumas regiões do Rio Grande do Sul.

Colaborou: Gilcéia de Souza

Você sabia?

A grande incidência de ervais nativos no Rio Grande do Sul, além de ter motivado o desenvolvimento de uma cadeia produtiva e de consumo em escala industrial, em torno do processamento da erva mate, foi fundamental para a construção do povo gaúcho em quanto tipo identitário.

Os Povoados Missioneiros, incluindo suas Estâncias e Ervais, ocupavam praticamente todo o território do atual Rio Grande do Sul; além grandes espaços nos atuais territórios do Paraná Argentina, Uruguai e Paraguai.

O contato entre europeus e índios, em especial os da Nação Guarani, possibilitou a difusão do uso da erva mate, que até então era utilizada na forma de uma bebida ritualística e/ou medicinal.

Os homens ditos gaúchos que viviam vagos nos campos do prata, na labuta de prear o gado alçado, incorporaram a bebida indígena ao seu cotidiano. Isto porque a sua dieta restringia-se ao consumo de carne e neste caso o chimarrão funcionava muito bem como digestivo.

O chimarrão/mate alcançou todas as camadas da sociedade gaúcha, tornando-se um símbolo de hospitalidade e funcionando como uma ferramenta de socialização. Com status de hábito, foi incorporado aos usos, costumes e ao folclore do Rio Grande do Sul.

Fotos: Mauro Heinrich

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