Em relação à forma como algumas pessoas estão definindo ou qualificando as propostas de avaliação das danças tradicionais que estão sendo apresentadas (gostometro/achometro), tenho a impressão de que alguns estão utilizando o argumento de uma conveniente avaliação técnica para engessar o avaliador de forma que a avaliação seja quase uma soma matemática, realidade que, evidentemente, comprometeria a prática da arte que não vive no mundo das ciências exatas.

Em verdade, alguns discursos que contemplo me lembram da primeira aula do professor John Keating (Robin Williams) no filme Sociedade dos Poetas Mortos, em que ele tenta avaliar a poesia como se fosse uma equação geométrica. Mas a arte, além da parte técnica, também é expressada e sentida, não podendo, em nossa opinião, termos experientes, idôneos e responsáveis avaliadores limitados a avaliarem somente a técnica. A parte técnica continua sendo avaliada nos seus quesitos de origem (correção, harmonia e interpretação), contudo, estamos ofertando a cada avaliador a possibilidade de, dentro do seu conhecimento e de sua experiência, prestar sua opinião em relação ao todo do que foi visto e proposto na apresentação.

Não se trata de uma pessoa ignorante em relação à matéria, mas, sim, de uma pessoa preparada que poderá associar seu conhecimento à possibilidade de se posicionar com relação à arte que foi apresentada em sala, com a propriedade inerente a sua preparação e sem o engessamento de uma avaliação única e exclusivamente técnica.

Ainda estamos em fase de proposições e aprendizados mas conseguindo garantir uma equipe preparada e idônea, como acreditamos que temos, somente trabalhos cuja a técnica esteja sendo mais valorizada ao ponto de comprometer a arte precisam se preocupar com a avaliação. Não estamos com isso defendendo um posicionamento de que supostamente teríamos encontrado a panaceia das avaliações. Trata-se apenas dos primeiros passos de uma grande jornada, que, possivelmente, não será concluída por nós. Jornada que busca uma avaliação em que a arte não esteja dissociada da técnica, mas que a técnica não comprometa e nem engesse a arte.

*Por Valmir Bohmer, vice-presidente artístico do MTG

 

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