O cotidiano do campo em sua simplicidade e poética em livro de Cyro Dutra Fereira

“Campeirismo gaúcho – Orientações práticas” é a obra de Cyro Dutra Ferreira que integra o catálogo promocional da 1ª Feira do Livro Virtual da Fundação Cultural Gaúcha. A obra está sendo comercializada a R$ 17,00 e é particularmente interessante para quem não possui vivência e conhecimento de campo.

Trecho

Digamos que de repente você, que sempre viveu na cidade, que não sabe sequer o lado correto de montar num cavalo, resolve ser campeiro.

Por instinto ou por amor à natureza delibera lidar com campo e com os animais, resolve, enfim, viver em estreita intimidade com o encantado mundo da abençoada produção agropecuária.
Para isso são necessários, além dos recursos materiais é claro, muitos conhecimentos que envolvem os inúmeros aspectos desta atividade.

Adquiri, ao longo dos meus quase oitenta anos de vida, muitos ensinamentos relacionados com a vida do campo; e, como Deus felizmente fez-me sem excesso de egoísmo, vivo passando aos meus semelhantes – o que faço com o maior prazer e orgulho – tudo que aprendi a respeito deste assunto.

Conheça, pois, aqui, desta feita por escrito, o que venho a todo o momento divulgando, apenas verbalmente, para quem não teve a felicidade de conviver intimamente com a vida campeira.

Mas, preste atenção! Você terá oportunidade de ler um trabalho muito modesto e relativo a uma estância simples, embora tradicionalmente riograndense e com as mínimas condições necessárias à sua sobrevivência. Se você tiver a sorte de ser ou ficar riquíssimo, tudo que está aqui sugerido poderá, evidentemente, ser ampliado e sofisticado, desde que as normas básicas sejam respeitadas.

Acompanhe-me.

Sumário

A obra apresenta detalhamento sobre o campo, o gado, os cavalos, pelos, doma, cachorrada, administração, os aperos, encilha, a casa sede e os galpões, o potreiro, as mangueiras e o banheiro, os aramados, o manejo do gado, confinamento, bicheira, marcação, castrações, o município da estância, o caseiro, as matas nativas, veículos de tração animal, cuidados com o inverno, o cercado, as tropeadas, o desfrute, na presilha do laço e um glossário.

Um exemplo

O campo

A primeira providência que você deverá tomar, obviamente, será a busca do espaço físico para a execução do seu projeto: o campo.

As condições essenciais que você deverá procurar são a riqueza de aguadas (vertentes e sangas naturais) e uma boa quantidade de matos nativos (1 a 3% da área total) para abrigo do gado no inverno, ou para protegê-lo do excesso de calor no verão.

De preferência deverá ter coxilhas e várzeas. Estas conservarão, no verão ou em épocas de seca, o pasto mais verde e aquelas prestar-se-ão melhor para o pastoreio do gado durante o inverno, quando as várzeas ficam muito úmidas.

Açudes não são prioritários porque poderão ser feitos a qualquer momento. O mato também poderá ser plantado, mas desde já saiba que uma floresta artificial nunca trará os benefícios que o mato nativo oferece aos animais. Com o passar dos anos as árvores artificiais irão crescendo e por baixo ficarão apenas os troncos, entre os quais o minuano correrá quase livremente, nos dias frios de inverno. Até a sombra, tão necessária no verão, ficará muito menos espessa. No entanto você deverá, sim, plantar muitas árvores (de preferência eucaliptos), pois uma propriedade rural sempre precisará de moerões, tramas e varas. E com isso você preservará seus matos naturais.

A floresta nativa é bem diferente, porque em seu interior sempre existirão árvores menores que vêm nascendo continuamente, numa renovação espontânea. É emocionante verificarmos as condições de autodefesa que as matas nativas possuem; se você examinar detalhadamente constará que todo o capão de mato é cercado por pequenas árvores ou arbustos que servem de proteção natural contra a entrada dos temporais de vento. E disso os animais tiram grande proveito. A sombra, então, é uma gostosura: compacta, espessa e refrescante.

Lembre sempre: se você não agredir seus matos eles próprios saberão manter-se infinitamente.

 

O autor

Cyro Dutra Ferreira nasceu em Porto Alegre, a 10 de janeiro de 1927, filho de Normélio Gomes Celso Ferreira e de D. Ida Dutra Ferreira (uruguaia). Até os sete anos de idade, viveu no campo, em São Jerônimo/RS, vindo, após, para Porto Alegre. Em 5 de setembro de 1947, participou da recepção a cavalo dos restos mortais do general farrapo David Canabarro, em Porto Alegre, integrando o histórico “Grupo dos 8”. No ano seguinte, participou da fundação do pioneiro “35” Centro de Tradições Gaúchas, entidade da qual foi patrão. No 35, ao longo de mais de 20 gestões, participou de quase todos os cargos de patronagem e Conselho de Vaqueanos.

 

Catálogo

A obra pode ser adquirida pelo link https://lojafcg.lojavirtualnuvem.com.br/produtos/campeirismo-gaucho-orientacoes-praticas/