Sete ensinamentos da pandemia para o tradicionalismo gaúcho organizado

A maneira como cada indivíduo enfrenta os desafios e agruras da vida é singular. Há que esteja sempre preparado para o pior e há quem prefira não sofrer por antecipação. Há aqueles que consideram tudo um castigo ou prova e há também aqueles que valorizam cada momento enquanto oportunidade de aprendizado. O tradicionalismo gaúcho, diante da pandemia de covid-19, demonstrou-se integrante do grupo dos otimistas, mantendo-se ativo mesmo em meio a tantas adversidades. Na sua opinião, que palavra melhor define esse período? Fizemos esta pergunta à diretoria do MTG. Confira.

Gilda Galeazzi: Acreditar
Para a presidente do MTG, Gilda Galeazzi, a palavra chave que define o tradicionalismo gaúcho em meio à pandemia é ‘acreditar’. Na sua opinião, as condições estavam perfeitamente postas para que, entre os tradicionalistas, se abatesse uma total tristeza e desmotivação. “Nós sempre tivemos como grande valor o encontro, a conversa, o rever de amigos. É uma marca nossa. Com a pandemia, ficamos diante de uma grande incógnita. Quando isso tudo seria novamente possível?”. Porém, na sua avaliação, os tradicionalistas rapidamente decidiram enfrentar de frente o isolamento, fazendo o que fazem de melhor: tradição e cultura. Por acreditar no seu potencial e sobretudo na sua missão, as entidades, mesmo de portas fechadas, foram valentes e muito ativas. “Foram produzidas lives, ações sociais, diversas campanhas. Realmente, nossas entidades e os tradicionalistas são o maior orgulho que uma entidade como o MTG pode ter”, conclui.

César Oliveira: Força
Para o vice-presidente de Administração e Finanças do MTG, César Oliveira, o tradicionalismo gaúcho nesse ano tão atípico precisou e, sobretudo demonstrou, ser um forte. A cultura foi o primeiro setor a suspender suas atividades e tudo indicava que seria o último a retomá-las. Neste cenário, foi necessária muita resiliência e força de vontade para, em meio a tantas adversidades, não desanimar e se colocar em movimento, buscando alternativas. “Felizmente, resistimos com bravura. Tenho a certeza de que as entidades sairão ainda maiores desta pandemia. Construímos novas pontes, especialmente com os poderes constituídos, e os frutos já estão chegando, seja por meio de editais, seja por meio de emendas parlamentares.

Adriano Pacheco: Articulação
Para o vice-presidente campeiro do MTG, Adriano Pacheco, “articulação” é um dos grandes destaques do tradicionalismo gaúcho nesta pandemia. Ele lembra que, depois de analisar a realidade dos eventos campeiros, com responsabilidade e humildade o MTG propôs ao governo do Estado um plano de retomada segura para os rodeios. Foi um momento de liderança e protagonismo do tradicionalismo na sociedade gaúcha. “Procuramos fortalecer o diálogo neste período e, atentos a todas as demandas dos tradicionalistas e ao mesmo tempo às orientações sanitárias para prevenção do contágio da covid-19, chegamos a um meio termo que possibilitou o sucesso desta iniciativa”.

Roberta Jacinto: Consistência
Para a vice-presidente de Cultura do MTG, Roberta Jacinto, o setor cultural do tradicionalismo gaúcho demonstra, neste período de pandemia, sobretudo “consistência”. Por fazer as coisas passo por passo, analisando contextos e desenhando cenários, sem abrir mão da paixão e da espontaneidade, ao tradicionalismo gaúcho foi possível manter-se firme e coeso em meio à pandemia. “De ponta a ponta do nosso estado percebemos que as iniciativas que surgiam eram alinhadas, coerentes, revelando a verdade que mora no coração de cada tradicionalista e que se manifesta em suas ações”, analisa.

Martim Guterres: Paciência
Para o vice-presidente de Esportes Campeiros do MTG, Martim Guterres Damasco, “paciência” foi e está sendo central para o tradicionalismo gaúcho e para os tradicionalistas gaúchos nesses tempos de pandemia. Quando a orientação é de isolamento social, ou de convivência controlada, há de se ter cautela e aguardar condições melhores para a realização de atividades. Na sua opinião, a vida se faz em ciclos e é importante aprender com os desafios e particularidades de cada época.

Valmir Böhmer: Aprendizado
Para o vice-presidente Artístico do MTG, Valmir Böhmer, “aprendizado” é a palavra que melhor define o período de pandemia para o tradicionalismo gaúcho. Diante de um cenário incerto, na sua opinião, os tradicionalistas souberam aproveitar cada momento para crescer em experiência. “Fiquei muito feliz quando vi um movimento intenso entre os tradicionalistas, criando ações e compartilhando o que fazia, como fazia, mantendo o diálogo aberto para mais iniciativas surgissem. Foi muito inspirador”, comemora.

Maxsoel Bastos: Organização
Para o vice-presidente da Fundação Cultural Gaúcha, Maxsoel Bastos, a palavra chave nesta pandemia foi “organização”. Com os eventos suspensos por força dos decretos do Governo do Estado, parte da energia e do tempo puderam ser canalizados à análise minuciosa da estrutura administrativa e modo de trabalho. “Tempos como estes são desafiadores e também uma oportunidade para ver o que está funcionando, o que precisa ser melhorado e implantar os avanços necessários”. A implantação de ferramentas de gestão e controle no MTG e na FCG, proporcionando análise de dados mais assertivas e portanto tomadas de decisões mais qualificadas, no seu ponto de vista, é um dos grandes ganhos do tradicionalismo gaúcho neste ano. A oportunidade de trabalhar melhor a organização também foi verificada por parte das entidades tradicionalistas.

Por Sandra Veroneze

Matéria Integrante do Eco da Tradição 218